{"id":44675,"date":"2025-09-04T12:23:00","date_gmt":"2025-09-04T15:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.naoobvio.com\/?p=44675"},"modified":"2026-05-14T12:34:42","modified_gmt":"2026-05-14T15:34:42","slug":"dez-poemas-longos-e-importantes-de-vanessa-brunt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.naoobvio.com\/index.php\/2025\/09\/04\/dez-poemas-longos-e-importantes-de-vanessa-brunt\/","title":{"rendered":"DEZ POEMAS LONGOS E IMPORTANTES DE VANESSA BRUNT"},"content":{"rendered":"\n<p>A autora Vanessa Brunt \u00e9 conhecida, principalmente, pelos poemas mais sintetizados e trechos curtos viralizados na internet, mas existe o principal lado da sua obra: aquele que a leva a premia\u00e7\u00f5es variadas e reconhecimento acad\u00eamico mais amplo. Os poemas longos, contos-novela e cr\u00f4nicas metaf\u00f3ricas s\u00e3o seus pontos altos na literatura.<br><br>Confira, portanto, uma sele\u00e7\u00e3o de dez desses poemas mais longos que ajudam no entendimento da sua escrita, sem deixar de lado os jogos de palavras do Estilo Bruntiano:<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>1. QUANDO N\u00c3O FOR ESPERA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Tudo o que ela precisa<br>\u00c9 desaprender a morrer<br>Que de tanta morte-viva<br>Acostumou-se a se refazer.<br><br>Por onde a pulsa\u00e7\u00e3o anda<br>Ela arrasta todo o caix\u00e3o<br>E onde aparece uma sombra<br>Prepara o buraco no ch\u00e3o.<br><br>Pega o corpo defunto molhado<br>E levanta inteiro outra vez<br>Sem crer em dia ensolarado<br>Que poderia enxugar os clich\u00eas.<br><br>Faz flor na terra esburacada&nbsp;<br>Mas n\u00e3o acredita em quem se diz vivo<br>Arranca das costas facada<br>E n\u00e3o confia nos curativos.<br><br>Tudo o que ela precisa&nbsp;<br>Ah!<br>\u00c9 desa-pren-der.<br>Que de tanto ser <em>natural,<\/em> <em>morte<\/em><br>Nem acredita mais em benzer.<br>N\u00e3o fecha os olhos em cochilos longos<br>Nem mesmo permite que dure o repouso.<br>Procura provas de que o pernilongo<br>Far\u00e1 outro homic\u00eddio culposo.<br><br>T\u00e3o amada quando quase-sem-alma.<br>T\u00e3o adorada quando em aut\u00f3psia.<br>Porque para os quase-sem-vida<br>Tantos batem palma.<br>E quando ela quase-vai,&nbsp;<br>Sempre vem a bi\u00f3psia.&nbsp;<br><br>Tudo o que ela precisa, oras!&nbsp;<br>\u00c9 uma hist\u00f3ria para n\u00e3o se enterrar<br>Um livro, uma \u00e1gua fresca, uma semente<br>Que vai florear.<br>Uma paci\u00eancia de J\u00f3<br>Para entender quem muito voltou<br>Dos mortos, terra na garganta&nbsp;<br>De onde ningu\u00e9m mais pisou.<br><br>Um filete de luz quando o escuro<br>Vier de mansinho p\u00f3s-sol<br>Um sentimento todo seguro<br>De nem morrer, nem viver<br>Em prol.<br>Apenas coisa bonita, que n\u00e3o fecha<br>A entrada do ar que respira.<br>Tudo o que ela precisa<br>\u00c9 aprender mais o que admira.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o tempo n\u00e3o for mais o tempo<br>E o doer n\u00e3o for <em>a-vers\u00e3o<\/em><br>Quando tanto n\u00e3o der n\u2019outro pranto<br>Quando o sim for menos que o n\u00e3o<br>Ela chora, ardendo, gritando<br>Faz calar toda, tanta, ilus\u00e3o<br>E o peito, cremado, berrando<br>Diz, enfim, que chorou de emo\u00e7\u00e3o<br>Sabe, aqui, que tudo faz motivo<br>Quando a hora n\u00e3o \u00e9 de moer<br>E o bordado, bordado agressivo<br>Sabe, enfim, n\u2019outra m\u00e3o se caber<br><br>E o sentido que ningu\u00e9m achava<br>Escondido, no que era pra\u2019si<br>Faz resposta, assim, intuitivo<br>Como se choro pudesse sorrir<br><br>Entre adeus, chegadas e meios<br>Prefere ter tudo onde possa ficar<br>Porque voltar, j\u00e1 n\u00e3o suficiente<br>Faz a dor calejada sarar<br>Mas fica inda batendo t\u00e3o roxo<br>E assim ningu\u00e9m volta a sua cor<br>Aprendido que o cadar\u00e7o frouxo<br>N\u00e3o segura nenhum ca\u00e7ador&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E agora ela entende o momento&nbsp;<br>De agradecer somente a quem fica<br>Casa, ninho, asa que descansa<br>Quando ir n\u00e3o destr\u00f3i o que habita<br>Quando o tempo n\u00e3o for mais o tempo<br>Quando a marca n\u00e3o mais desbotar<br>Ela vai terminar o bordado<br>Ela vai saber se podar<br>Porque horta, para crescer grande<br>S\u00f3 se poda quando se rega<br>Quando o tempo n\u00e3o for mais o tempo<br>Ela vai enxergar quando cega.<br><br>A m\u00e3o cinza e o dedo gelado<br>V\u00e3o provar que soltar \u00e9 fugir<br>V\u00e3o tocar no peito esgoelado<br>Como se morto pudesse sorrir<br><br>Quando tudo n\u00e3o for mais a tora<br>Quando a hora n\u00e3o for o seria<br>Toda cura ser\u00e1 para agora<br>Todo precisar saberia<br>Pelo belo de (se) achar mais bonito<br>Dentro d\u2019olho de quem faz caminho<br>Casa, tranca, risco na parede<br>Quando tempo n\u00e3o se faz sozinho<\/p>\n\n\n\n<p>E ela vai saber ceder,&nbsp;<br>Vai pedir<br>Demorado<br>Quando o tempo n\u00e3o for mais o tempo<br>Finalmente n\u00e3o ser\u00e1 (mais) calado<\/p>\n\n\n\n<p>Que de tanto corpo sem vida<br>Parou de ter tempo para viver<br>Mas quando o tempo n\u00e3o for mais o tempo<br>N\u00e3o ter\u00e1 tempo \u00e9 para morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>2. <strong>MAIORES NA INF\u00c2NCIA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ei, eu vi uma luz na sua raiz<br>E \u00e9 t\u00e3o raro para mim<br>Querer regar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei, eu sei da sua cicatriz<br>E meu pulso tamb\u00e9m<br>N\u00e3o consegue<br>Enxaguar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei, tem algo no jeito<br>Em que o poste faz brilho<br>Na rua molhada.<br>S\u00e3o detalhes assim<br>Como sua m\u00e3o no meu cabelo<br>Que me fazem, vivida,<br>T\u00e3o achada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que ando meio perdida<br>Sempre,<br>Mesmo quando sei de mim.<br>Vivo driblando piscinas vazias<br>Querendo alma na pornografia<br>Sentada no trampolim.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei, eu vejo uma poesia<br>No jeito como seus olhos<br>Viram l\u00e1grimas ao rir.<br>Sinto aqui anestesia<br>No meu medo e nessa biografia<br>Que s\u00f3 fala de partir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei,<br>C\u00ea n\u00e3o sabe metade<br>Das metades que eu vivi<br>E do quanto estou cansada<br>No d\u00e9cimo degrau da escada<br>N\u00e3o querendo recair.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eu tamb\u00e9m n\u00e3o sei<br>De todos os seus hematomas<br>S\u00f3 sei que quero descobrir.<br>Eu vejo um tesouro no fundo<br>Do seu receio fecundo<br>De ser dois e subtrair.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei,<br>C\u00ea ainda n\u00e3o sabe<br>O quanto \u00e9 dif\u00edcil pra mim<br>Querer ser t\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando come\u00e7o<br>N\u00e3o vejo outra forma<br>De inici-ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vivo dentro de uma caixa<br>Com trinta cadeados<br>At\u00e9 que apare\u00e7a<br>Quem me fa\u00e7a ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed eu mergulho<br>N\u00e3o sei ir aos pouquinhos<br>Mas aprendi a ter cautela<br>A ter uma cota de espinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00ea disse que n\u00e3o entende<br>E que tudo isso \u00e9 exagero<br>Mas um dia sua luz<br>Vai te esclarecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Perto ou longe de mim<br>Vem algum desespero<br>Pra mostrar que s\u00f3 ele<br>Pode nos merecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei, deita aqui por enquanto<br>Trago quase tudo o que posso oferecer\u2026<br>Cafun\u00e9, verdade e, quem sabe, um tanto<br>Do meu poetar<br>E do meu descaber \u2014<br>Pra c\u00ea levar depois que formos<br>Pra gente fazer alguma marca<br>Que n\u00e3o precise sangrar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Eu pedi desculpa<br>Porque eu vi uma luz<br>E tenho essa mania<br>De intensificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, ei,<br>Encosta aqui por enquanto<br>Enquanto ainda tenho coragem<br>De correr o risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto sua luz \u00e9 mais forte<br>E ainda vejo meu norte<br>Enquanto a chuva<br>\u00c9 chuvisco.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vi uma luz a\u00ed dentro<br>E n\u00e3o sei se vou demorar<br>Mas enquanto estiver<br>Espero arrombar<br>Alguma porta fechada<br>Alguma tranca enferrujada<br>Algum medo escondido.<\/p>\n\n\n\n<p>Espero que fa\u00e7a alecrim<br>Com o que temos aqui<br>E que n\u00e3o armemos<br>Regalos bandidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei,<br>Eu quero dan\u00e7ar com voc\u00ea<br>No meio do estacionamento<br>No meio de uma loja<br>Com sorvetes nas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero devolver<br>A sua cren\u00e7a e cimento<br>Deixar um pouco de soja<br>Pra sua ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E, quem sabe, c\u00ea me conhe\u00e7a um pouco<br>E valorize meu jeito torto<br>De n\u00e3o ser paciente<br>E de querer ir com cuidado<br>Mas com tudo de uma vez.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vejo um tom na sua ess\u00eancia<br>Que talvez c\u00ea tenha dado<br>Como morto.<br>Vejo cores gradientes<br>Vejo na guerra, um soldado<br>Que salvaria lucidez.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ei,<br>Eu quero um poste enorme<br>Cobrindo uma rua esburacada<br>E eu quero nossas m\u00e3os entrela\u00e7adas<br>At\u00e9 que tudo escure\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu quero seu nariz no meu<br>Sua sequ\u00eancia de beijos<br>E o que temeu \u2014<br>At\u00e9 onde a dor<br>N\u00e3o prevale\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>E eu prometo fazer mil cartas<br>Mil poemas que c\u00ea nem vai ler<br>Porque eu vi uma luz<br>E eu preciso escrever \u2014<br>At\u00e9 quando ainda valer a pena<br>At\u00e9 quando n\u00e3o apequenar.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixa eu ver quem \u00e9 voc\u00ea no escuro<br>Deixa eu te dar um nome para lembrar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 n\u00e3o me tranque do lado de fora<br>N\u00e3o apague a for\u00e7a da sua aurora<br>N\u00e3o vire mais uma foto<br>Que eu preciso queimar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mostre seu bra\u00e7o tatuado<br>N\u00e3o caia nessas ruas de enjaulados<br>Que juram que liberdade<br>\u00c9 cortar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei, eu vi uma luz na sua raiz<br>Estou testando a minha f\u00e9.<br>Eu sei<br>Da sua cicatriz<br>E tenho uma mancha<br>Onde dei r\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Ei, ei, ei!<br>Eu vejo um poema<br>Sempre que c\u00ea para<br>E abre a greta um pouco mais.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 n\u00e3o se iguale aos pequenos<br>Veja o poder dos acenos<br>S\u00f3 tire a minha roupa<br>E n\u00e3o tire a minha paz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que, ei!<br>N\u00e3o sei ficar onde n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil<br>Onde a minha entrega<br>N\u00e3o tem valor<br>Onde buscam pelo \u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vejo um brilho na sua sala<br>A verdade no que c\u00ea cala<br>E uma catraca sem crach\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Marcados demais para a ingenuidade<br>Sozinhos demais para o acolhimento<br>Apunhalados demais para a confian\u00e7a.<br>Esquecido que s\u00f3 vale o que causa ansiedade<br>Enrugada demais para ser de momento.<br>Que dure at\u00e9 enquanto pudermos ser crian\u00e7as.<\/em><\/strong><br><br>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>3. <strong>COMO DER, JANTAR<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Estou estendendo a toalha na mesa<br>Enquanto arrasto a mala<br>Pela sala de jantar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciente da nossa defesa<br>Vejo ali uma bengala<br>Que ningu\u00e9m quis arriscar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de tanta poesia<br>Fios e tra\u00e7os embolados<br>Sinto pela estadia<br>E por estarmos t\u00e3o cansados:<\/p>\n\n\n\n<p>Antes mesmo da b\u00fassola<br>Ou do sorriso tristonho.<br>Sinto muito se n\u00e3o fui<br>Como seu antigo sonho.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas suas linhas seriam tudo<br>Que eu precisaria pra escrever<br>Se n\u00e3o fossem pelos tra\u00e7os<br>A nos submeter.<\/p>\n\n\n\n<p>E o oceano no seu olho<br>F\u00e1cil de nos alinhar<br>Passou o dedo na minh&#8217;alma<br>E se deixou um tanto l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 por isso que eu ainda posso<br>P\u00f4r a mesa e uma estrela cadente<br>Enquanto lembramos que nada<br>Permanece permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu posso deixar uma muda de roupa<br>Eu posso esquentar o caf\u00e9<br>Pra gente sentar, enquanto tudo nos poupa<br>De mais uma x\u00edcara derramada de f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu posso deixar uma roda<br>Emperrada no meio do v\u00e3o<br>Pra quando quiser me contar<br>O que apertou o seu pulm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu posso largar mais peda\u00e7os de mim<br>Pelo seu sof\u00e1<br>S\u00f3 n\u00e3o pode ser como quase foi<br>Caberemos caber nesse n\u00e3o ser\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o chega perto pra eu te ter de outro jeito<br>Porque n\u00e3o podemos ser tudo aquilo<br>Mas \u00e9 voc\u00ea que eu quero<br>Pra entender os nadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Senta aqui pra caber no meu peito<br>E n\u00e3o finge que est\u00e1 tranquilo<br>Em s\u00f3 me olhar da arquibancada.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu quero seu viol\u00e3o perto<br>Nosso (a)bra\u00e7o aberto<br>Pra chegar a dan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o pode ser assim t\u00e3o certo<br>Que seja no entreaberto<br>(Greta)<br>Da nossa fian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Chega aqui mais um pouquinho<br>N\u00e3o bate essa porta<br>Que eu vou nos servir.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu posso n\u00e3o poder ficar<br>Mas tamb\u00e9m n\u00e3o aceito<br>Ter que nos partir.<\/p>\n\n\n\n<p>Quero ouvir sua semana<br>O fogo e a chuva do seu m\u00eas.<br>Porque sinto que se formos embora<br>Nem o espelho<br>Ver\u00e1 talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou estendendo a toalha na mesa<br>Enquanto arrasto a mala<br>Pela sala de jantar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciente da nossa defesa<br>Vejo ali uma bengala<br>Para nos engatinhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de tanta poesia<br>Fios e tra\u00e7os embolados<br>Quero mais que uma estadia<br>E nossos olhos enrugados.<\/p>\n\n\n\n<p>Chega mais perto pra gente<br>Achar outra maneira de se apoiar\u2026<br>Se nossos mundos n\u00e3o se encaixam<br>A gente pode<\/p>\n\n\n\n<p>Via<br>Ja<br>r.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu quero ao menos ser seu ombro<br>Ser um colo, uma ponte<br>Uma conversa larga<br>No meio do bar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nossa hora n\u00e3o \u00e9 hoje<br>E talvez nunca seja: conte<br>Ao menos com essa perna<br>Pra te desembolar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 n\u00e3o se perde de mim n\u00e3o<br>Que depois demora de crescer<br>O tanto que poderia<br>Bastando n\u00e3o nos perder.<\/p>\n\n\n\n<p>Que o escuro no meu olho<br>T\u00e3o f\u00e1cil de nos matar<br>Passou o dedo na sua alma<br>E espera nos clarear.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou estendendo a toalha na mesa<br>E convidando voc\u00ea pra entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tire minha pele, meus ossos<br>E, prazer,<br>Quero n\u00f3s dois<br>Com o que sobrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Estou estendendo a toalha na mesa<br>E me convidando para al\u00e9m cheirar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tiro sua pele, seus ossos<br>E, prazer,<br>Quero n\u00f3s dois<br>Como o que ficar.<br><br>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>4. BUSCA ETERNA<\/h2>\n\n\n\n<p>Felicidade, profeta?<br>Sempre esteve em mim<br>Mas sempre fui poeta<br>Atr\u00e1s d\u2019outro Enfim!<br>Que coisa mais tardia<br>Chegar querendo c\u00e1lculo<br>Da minha alegria<br>Se vivo ali no palco.<br>Choro, rio, jogo-me e sou<br>Nem plena e nem desatenta<br>Nem mesmo o que restou<br>Nem oito ou oitenta.<br>Entre as an\u00e1lises das dores<br>E das li\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m dos risos\u2026<br>Nunca deserto, nem flores.<br>Entre batimentos e ju\u00edzos.<br>Nem tristeza e nem euforia,<br>Ainda que muito as seja,<br>Sou mesmo \u00e9 a carni\u00e7aria<br>Aberta na bandeja.<br>E quando eu alcan\u00e7ar tudo<br>O que me d\u00f3i nos rins,<br>Diga a eles que inda acudo<br>Meus saberes, n\u00e3os e sins.<br>Quando tudo fizer sentido,<br>Quando toda resposta houver,<br>Diga a eles que meu eu perdido<br>Inda ler\u00e1 o que nem se \u00e9.<br>Fico mesmo \u00e9 nesse papel<br>Branco, decalcado,<br>Nessa arte t\u00e3o cruel<br>De tentar<br>Significado.<br>Fico mesmo \u00e9 na import\u00e2ncia<br>De fugir da infelicidade<br>Porque mais do que ser feliz<br>Ser poeta<br>\u00c9 ser verdade.<br><br>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\">Vanessa Brunt)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2>5. PALAVRAS MAL-<em>DITAS<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Algum triz de amor nasce do mist\u00e9rio <br>e algum tanto de amor morre <br>pelo mesmo motivo.<br>Quando se demora <br>nas sombras do cemit\u00e9rio <br>o olho d\u00f3i na luz ou <br>ao se sentir vivo.<br>Algum triz de amor nasce <br>da sensa\u00e7\u00e3o de tentativa.<br>E algum tanto de amor morre <br>ao tentar duas vezes <br>onde-nem-paz-sou.<br>Quando se demora em in\u00edcios, <br>o final \u00e9 sempre sobre <br>o (sempre) <br>que n\u00e3o come\u00e7ou.<br>\u2014 Algum triz de amor <br>nasce para <br>ver se fica.<br>Algum tanto de amor morre <br>por quem n\u00e3o <br>versifica.<br><br>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>6. <strong>OBRA-PRIMA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br><em>Onde j\u00e1 se viu entrar em alguma<br>e sair deixando a porta entreaberta?<\/em><br>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>Voc\u00ea n\u00e3o deveria quebrar uma<br>achando que a cidade encoberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>Voc\u00ea n\u00e3o deveria bagun\u00e7ar<br>e colocar a culpa<br>em quem desarrumou a sua.<br>Todo mundo \u00e9 uma casa!<br>Voc\u00ea n\u00e3o deveria pregar um quadro novo<br>se tem d\u00edvidas l\u00e1 fora<br>ou algo que o torne:<br>falcatrua.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>Por isso nunca \u00e9 simples<br>essa coisa de ir embora.<br>Fica sua digital na porta,<br>fica o que todos v\u00e3o saber na rua,<br>fica um rastro seu<br>que mora.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>N\u00e3o se pode reformar um peda\u00e7o<br>e querer voltar atr\u00e1s<br>exatamente igual.<br>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>Casa sente a diferen\u00e7a<br>se o a\u00e7\u00facar for posto<br>no lugar do sal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 uma casa.<br>Se voc\u00ea n\u00e3o trancou direito,<br>nem sinto muito<br>se um ladr\u00e3o adentrar.<br>Se voc\u00ea quebra a parede,<br>\u00e9 pelo buraco<br>que a luz vai entrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sou uma casa.<br>Eu sou minha casa.<br>Eu ganho uma nova sala<br>toda vez que outra casa<br>vem me visitar.<br>Fico melhor<br>quando quebram um c\u00f4modo&#8230;<br>isso \u00e9 s\u00f3 espa\u00e7o<br>pr\u2019outro maior chegar.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>E se voc\u00ea tenta destruir as colunas<br>\u00e9 sim em cima de voc\u00ea<br>que ela deve desmoronar.<br>Porque do que outra casa<br>est\u00e1 criando por causa da sua<br>\u00e9 preciso tamb\u00e9m cuidar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea colocou uma ponte<br>entre as duas<br>era \u00f3bvio que se uma desfaz,<br>a outra vai balan\u00e7ar.<br>E se a mesa de canto quebrou,<br>fica um vazio<br>ou uma oportunidade.<br>Depende de como vai enxergar.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>\u00c9 preciso criar expectativas, sim.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma revista s\u00e9ria<br>vai inspirar decora\u00e7\u00e3o duvidosa \u2013<br>e sem expectativas<br>n\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00f5es reais.<br>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>\u00c9 preciso esperar<br>que o sof\u00e1 confort\u00e1vel da propaganda<br>funcione para o minuto de paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Expectativa<br>\u00e9 diferente de ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ilus\u00e3o \u00e9 coisa<br>que a casa cria sozinha.<br>\u00c9 o barulho que ningu\u00e9m explica,<br>\u00e9 o que pensa da vizinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas voc\u00ea n\u00e3o deveria colocar um tapete na porta<br>se ningu\u00e9m pode colocar os p\u00e9s nele.<br>Se fulano vive estacionando l\u00e1 o carro,<br>quando empatar uma garagem,<br>v\u00e3o reclamar \u00e9 dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Entende?<br>\u00c9 sempre \u00f3bvio<br>quando se est\u00e1 gerando expectativas no outro.<br>N\u00e3o entender<br>\u00e9 como n\u00e3o ver<br>que sem rede,<br>janela n\u00e3o est\u00e1 segura.<br>\u00c9 t\u00e3o simples perceber<br>quando est\u00e1 sujo.<br>Sujeira guardada, inclusive,<br>aparece como mofo:<br>na casa,<br>na fatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa!<br>Todo objeto posto<br>gera uma a\u00e7\u00e3o.<br>Tudo gera alguma espera,<br>casa vive a (des)esperar.<br>Coloque um prato na mesa,<br>v\u00e3o usar pro p\u00e3o.<br>N\u00e3o existe isso de calma<br>para o que est\u00e1 parado.<br>Parado largado<br>est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que voc\u00ea coloca ali,<br>precisa e vai ter uma utilidade\u2026<br>seja para outra visita usar<br>ou para te assombrar mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma (c)a-sa!<\/p>\n\n\n\n<p>Bate asa \u00e9 pra c\u00e1.<br>Bate asa pra ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o pode julgar a decora\u00e7\u00e3o dela<br>e n\u00e3o pode querer<br>assim que ela te deixe entrar<br>se n\u00e3o viu as reformas anteriores.<br>Toda casa \u00e9 mal-assombrada<br>pelos visitantes,<br>pelos que j\u00e1 morreram ali<br>e pelos moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>A constru\u00e7\u00e3o \u00e9 constante,<br>mas para reformar<br>\u00e9 preciso gastar<br>tudo o que desgastava.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma<br>ca<br>sa.<\/p>\n\n\n\n<p>Queda \u00e9 o que d\u00e1.<br>O resto tira<br>ou faz perceber<br>o que j\u00e1 estava.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o sabe se entra ou sai,<br>bata a porta de vez com for\u00e7a<br>ou o vento vai chegando<br>pra bater.<br>A cada demora<br>para ficar na casa,<br>os arredores v\u00e3o levando ela de voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo \u00e9 uma casa.<br>E se eu preciso ficar te lembrando disso<br>e de n\u00e3o sujar os seus p\u00e9s na rua \u2013<br>porque a\u00ed eles sujam tamb\u00e9m aqui dentro \u2013,<br>vejo logo que c\u00ea \u00e9 s\u00f3 ponte<br>pra reformar algo do centro.<\/p>\n\n\n\n<p>Que \u00f3timo,<br>vejo logo que voc\u00ea n\u00e3o merece<br>conhecer o andar de cima&#8230;<br>Vamos logo, se apresse,<br>porque minha casa est\u00e1 em<em> obra<br>-prima.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2>7. <strong>SIMPLESMENTE J\u00c1 SABER<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apresse-se lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Enlouque\u00e7a de forma s\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1 com tudo\u2026<br>gradativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Perca a f\u00e9 de forma crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Desista aos poucos,<br>para dar tempo de n\u00e3o desistir.<\/p>\n\n\n\n<p>Abandone de vez<br>o que s\u00f3 te segura quando cair.<\/p>\n\n\n\n<p>Saiba quando fugir \u00e9 ser corajoso.<br>Acredite piamente, sendo curioso.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida adulta \u00e9 sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser um lado sem perder<br>a outra parte.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser egoc\u00eantrico e nem submisso,<br>jogar fora sem fazer todo o descarte.<\/p>\n\n\n\n<p>Estar quebrado e n\u00e3o partir ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Abrir m\u00e3o do que te faz divertido<br>pelo que te faz bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Dar limites a tudo infinitamente.<br>Levar na brincadeira, seriamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E nem sempre tudo \u00e9 t\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque maturidade \u00e9 tamb\u00e9m saber<br>quando emburrecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Maturidade \u00e9 n\u00e3o levar em conta o que \u00e9 plaus\u00edvel,<br>quando se leva em conta o que voc\u00ea j\u00e1 sabe<br>sobre voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>E este \u00e9 o principal segredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Muita gente n\u00e3o vai entender a sua decis\u00e3o.<br>Mas \u00e9 sobre olhar os cap\u00edtulos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio do filme algum mocinho pode ter<br>se tornado o vil\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 voc\u00ea sabe de tudo o que precisa saber.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida adulta n\u00e3o \u00e9 sobre enrijecer.<br>Mas \u00e9 sobre n\u00e3o ignorar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pegar as coisas certas e se apegar.<\/p>\n\n\n\n<p>Perceber que humilha\u00e7\u00e3o<br>\u00e9 sobre n\u00e3o ter nada a pedir.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida adulta \u00e9 ficar em voc\u00ea mesmo<br>e sair daqui.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser feliz o tempo inteiro<br>para ser feliz de verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser t\u00e3o livre na vis\u00e3o dos outros<br>para ter a pr\u00f3pria liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomar decis\u00f5es n\u00e3o apenas<br>por quem voc\u00ea \u00e9 agora,<br>mas por quem voc\u00ea quer se tornar.<\/p>\n\n\n\n<p>Re-cobrar algumas regras<br>apenas para impor novas,<br>e para organizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter raiva de tudo sem deixar a prece.<br>Abrir m\u00e3o do que se quer<br>pelo que se merece.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender que n\u00e3o se sabe tanto,<br>mas tamb\u00e9m entender<br>quando j\u00e1 leu os sinais.<\/p>\n\n\n\n<p>Prestar aten\u00e7\u00e3o nos padr\u00f5es.<br>Ter como refer\u00eancia a pr\u00f3pria paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Maturar n\u00e3o \u00e9 sobre tempo,<br>mas sobre se autoconhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Se eu fiz isto ou aquilo,<br>na maior parte das vezes,<br>foi simplesmente, por re-viver.<\/p>\n\n\n\n<p>Adultecer.<br>Se bastar e se saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Adultecer.<br>Se bastar \u00e9 se saber.<\/p>\n\n\n\n<p>(Vanessa Brunt,&nbsp;<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@vanessabrunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>8. ELA TER\u00c1 UMA CASA DE CAMPO<\/h2>\n\n\n\n<p>Tenho sentido falta de mim.<br>De um lado antigo que precisou<br>adormecer.<br>Ilustra\u00e7\u00f5es jogadas no motim.<br>Aquela sonhadora que via o sol<br>antes-dele-nascer.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o queria voltar a ser ela<br>pura e simplesmente.<br>A que sou hoje n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais forte,<br>sabe tamb\u00e9m enxergar beleza onde<br>a outra n\u00e3o via frequente.<\/p>\n\n\n\n<p>A de hoje sabe que ser boa<br>\u00e9 tamb\u00e9m saber quando ser vil\u00e3<br>em um conto jogado.<br>S\u00f3 n\u00e3o queria ter que ser ela<br>sem poder ser tamb\u00e9m da de ontem<br>um bocado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho sentido falta da mo\u00e7a<br>que degustava a aprecia\u00e7\u00e3o.<br>Com tempo ou sem, ela era pura<br>agonia, verdade, demora, vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, a de hoje balanceia, n\u00e3o pode<br>ampliar um pouco do tanto a todo momento.<br>Queria que para ser ela n\u00e3o precisasse<br>matar um peda\u00e7o do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Queria que dessem as m\u00e3os;<br>a que tanto chorava<br>e as rugas que secam a \u00e1gua salgada.<br>Queria que fizessem plant\u00e3o;<br>a que nem descabelava<br>e a que para tudo rios-remava.<\/p>\n\n\n\n<p>Qui\u00e7\u00e1, no abra\u00e7o delas more o equil\u00edbrio,<br>que ainda n\u00e3o sei se encontrei.<br>Tenho saudade de quem n\u00e3o perdi<br>e nem tampouco precisei.<\/p>\n\n\n\n<p>Clamo todas elas! Clamo.<br>Porque preciso sim.<br>Ora uma, ora outra.<br>Espero que um dia, nenhuma viva sem mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho sentido saudade, tanto,<br>mas nem sei como fazer esse conv\u00edvio<br>entre uma senhora sem espanto<br>e outra que s\u00f3 via decl\u00edvio.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas vivem brigando, veja,<br>quando tento apresent\u00e1-las.<br>Talvez, olhe bem, a cereja,<br>seja uma casa de campo a olh\u00e1-las\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>No dia em que aquela gente n\u00e3o obrigar nenhuma<br>a surgir.<br>Tenho sentido saudade.<br>Quem sabe passe<br>quando ningu\u00e9m<br>precisar<br>fingir.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a textura da flor<br>fizer no polegar<br>algo que se (a)guarde.<br>Quem sabe dure o cobertor\u2026<br>quando todas elas puderem ficar<br>at\u00e9 mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>9. <strong>O TREM<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Agora que o nosso tempo passou<br>E n\u00e3o podemos mais ser<br>Agora que a estrada mudou<br>E temos que passar blas\u00e9<br>Olha-me curioso, mas n\u00e3o pode correr o risco<br>D\u00f3i saber que o amor que sonha, \u00e9 o amor que j\u00e1 n\u00e3o arriscou?<br>Agora que sigo do alto, sem ind\u00edcios de viver assombrada<br>Agora que mando no asfalto, e voc\u00ea senta na arquibancada<br>D\u00f3i ler a p\u00e1gina em branco com o texto que se decorou?<br>Um fio telef\u00f4nico, uma mancha na roupa,<br>uma chance infinita<br>que<br>nunca<br>mais<br>voltou.<br><br>Agora que os tempos s\u00e3o outros, d\u00f3i n\u00e3o ter a poesia?<br>Nas entrelinhas, tudo dito, em maturidade t\u00e3o tardia.<br>Viveremos os olhares profundos ao fecharmos os c\u00edlios,<br>eternos no fundo do mar, jogados no meio dos trilhos.<br>Porque aquela luz que eu daria, n\u00e3o pode mais se acender.<br>D\u00f3i agora tanto potencial, que n\u00e3o dependia saber?<br>Ser jovem \u00e9 mais pelo que vive agora do que<br>pelo tanto que j\u00e1 viveu.<br>Mas e quando j\u00e1 n\u00e3o se pode? <br>E quando o que quer<\/p>\n\n\n\n<p>morreu?<\/p>\n\n\n\n<p>Agora que o tempo passou<br>E j\u00e1 teve todo asterisco<br>Aprendeu a perguntar previs\u00e3o<br>Antes de esperar chuvisco?<br>E tamb\u00e9m h\u00e1 a minha parte<br>De ter berrado calada.<br>Agora que nada mais \u00e9 tanto<br>D\u00f3i a ferida sarada?<br>Agora que \u00e9 amanh\u00e3<br>E somos outros destinos\u2026<br>Falo o que sinto em s\u00e3<br>E voc\u00ea joga cristalino.<br>Porque hoje somos tudo<br>O que faltava<br>Mas<br>em filmes diferentes<br>Quando, antes, ajustar<br>bastava.<br>Dois pregui\u00e7osos, delinquentes.<br>Agora que n\u00e3o adianta o esfor\u00e7o<br>Agora que n\u00e3o se pode o pingo<br>Quando te doer o pesco\u00e7o<br>Espero que lembre daquele domingo.<br>Porque sorte n\u00e3o \u00e9 apenas<br>Estar preparado quando a chance vem.<br>\u00c9 querer saber de tudo logo, antes que chegue<br>O rel\u00f3gio, um novo livro, um medalh\u00e3o.<br>O trem.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2>10. <strong>VOC\u00ca N\u00c3O PRECISA VOLTAR L\u00c1<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Se um tubar\u00e3o arranca o seu bra\u00e7o no mar, voc\u00ea foge para a terra e foca em respirar e se salvar ou fica na \u00e1gua indo atr\u00e1s do tubar\u00e3o, querendo explicar o erro dele e tentando descobrir o motivo dele ter feito isto?<\/p>\n\n\n\n<p>Se a chuva alaga a sua casa, precisar\u00e1 saber o motivo dela estar caindo, ou s\u00f3 por cair e molhar, ser\u00e1 suficiente para que feche as janelas? Se tubar\u00e3o mordeu em \u00e1gua rasa, j\u00e1 estar\u00e1 voc\u00ea partindo, ou ainda precisar\u00e1 mergulhar para explicar as dentadas em suas canelas?<\/p>\n\n\n\n<p>Hist\u00f3ria que n\u00e3o faz ferimentos graves n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m bonita se nos pontos positivos est\u00e3o faltando pontos fundamentais. \u00c9 como um filme de romance revolucion\u00e1rio: sem choro, mas tamb\u00e9m sem luta ou sem algo: amais! Hist\u00f3rias sem grandes decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o grandes hist\u00f3rias. Vit\u00f3rias sem pequenas abdica\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre contradit\u00f3rias. \u00c9 que tudo move montanhas, menos o que j\u00e1 n\u00e3o se move. \u00c9 que o amor n\u00e3o salva nada se n\u00e3o d\u00e1 casaco porque vai-que-chove. Para fazer o ninho, passarinho deixa bastante de voar, mas assim ele tem para onde ir na tempestade. O destino que se cumpre \u00e9 a abelha que se mata ou o pinguim que vive pela lealdade?<\/p>\n\n\n\n<p>Precisaria a cobra picar novamente para deixar claro o seu perigo? Precisaria ficar sem teto, realmente, para valorizar abrigo?<\/p>\n\n\n\n<p>Se o caco est\u00e1 no ch\u00e3o, s\u00f3 vai jog\u00e1-lo fora depois que esquec\u00ea-lo o suficiente para que se corte?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea j\u00e1 morreu naquele lugar, n\u00e3o acha que sair do t\u00famulo para discursar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>diminuiria o peso da sua morte?<br><br>(<a href=\"http:\/\/instagram.com\/vanessabrunt\">Vanessa Brunt<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A autora Vanessa Brunt \u00e9 conhecida, principalmente, pelos poemas mais sintetizados e trechos curtos viralizados na internet, mas existe o principal lado da sua obra: aquele que a leva ao verdadeiro reconhecimento.<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":44728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[13,20],"tags":[854,730],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.9.2 - 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