5 LIVROS NACIONAIS DE DISTOPIAS QUE SE PASSAM NO BRASIL

Antônimo das utopias, as distopias apresentam realidades que podem parecer distantes do mundo atual. Mas, na verdade, o estilo literário brinca com metáforas para exibir problemáticas que podem surgir ou que já estão presentes na sociedade. Para mostrar que o Brasil não está de fora de entrelinhas apresentadas em obras como Jogos Vorazes, confira uma lista especial de tramas do estilo que se passam na terra verde e amarela.

Não é incomum a busca por livros que provoquem grandes fugas dos cenários sociais atualizados, afinal, nas vidas mais diversas e, por vezes, utópicas de outros personagens, é possível sentir esperança, aconchego, afeto, segurança, identificações nas entrelinhas e, claro, a sensação de viajar sem sair do lugar.

No entanto, algumas produções literárias apresentam universos que se aproximam da realidade presente, indo no sentido contrário das organizações sociais ‘perfeitas‘ e evidenciando aspectos negativos, porém fieis, de uma determinada cultura ou região, através de sátiras.

Com metáforas sagazes, as distopias, antônimo das utopias, apresentam universos que pode parecer distantes da realidade atual, mas que induzem projeção e identificação de conteúdos individuais e coletivos que muito dizem respeito às problemáticas vivenciadas no agora. É o caso, por exemplo, da saga Jogos Vorazes, que traz diversas críticas políticas envolvidas para o mundo de hoje.

Grandes títulos, como 1984, A Revolução dos Bichos e Laranja Mecânica, proporcionaram aos seus leitores, ao longo dos anos, reflexões e críticas ligadas ao cenário político, social e econômico mundial.

NO GOOGLE: Distopia ou antiutopia é qualquer representação ou descrição organização social cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. O termo também pode referir-se a um lugar ou estado imaginário em que se vive sob condições de extrema opressão, desespero ou privação.

Para mostrar que o Brasil não está de fora das inteligentes metáforas criadas nos universos das distopias, o NÃO ÓBVIO selecionou cinco obras escritas por autores brasileiros, que se ambientam em um Brasil futurístico e nada impossível (que muito representam o próprio hoje). Confira:

1. Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser o Vento Que Sopra | de Ignácio de Loyola Brandão

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A distopia Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser o Vento Que Sopra apresenta um universo futurístico, onde as pessoas são controladas através de tornozeleiras eletrônicas, instaladas desde o seu nascimento, e câmeras que as vigiam por todo lugar, até mesmo dentro de suas residências.

Há ainda uma epidemia da Peste, que dissolve os corpos humanos e dilacera a população. O governo, em contrapartida, permite que os idosos pratiquem a autoeutanásia, abre espaço para a coexistência de 1.080 partidos, extingue escolas e ministérios importantes, como o da educação e dos direitos humanos.

Ignácio de Loyola Brandão, autor de Zero e Não Verás País Nenhum, e vencedor do Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, constroi uma narrativa onde o caos está completamente instalado, mas não perde a esperança no amor, ao apresentar ao longo da narrativa as personagens Clara e Felipe, que se apaixonam, no meio do pior cenário possível.

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Preço: versão física R$ 51 | versão digital: R$ 38,61
Ano de lançamento: 2018
Editora: Global
Páginas: 376

2. Cangaço Overdrive |de Zé Wellington

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Um futuro distópico que se passa no Ceará, narrado em cordel e quadrinhos. Essa é a proposta nada óbvia de Cangaço Overdrive, escrito por Zé Wellington, autor de Quem Matou João Ninguém?, e ilustrado por Walter Geovani e Luiz Carlos Freitas.

Nesta obra, considerada como um cyberpunk nordestino, o sertão acaba esquecido pelo governo vigente, mas as memórias de um cangaceiro e um coronel são boas demais para que eles deixem a sua terra ser tomada por empresários mercenários.

A comunidade local também se move para defender o sertão da polícia, influenciada por uma corporação mal-intencionada. A história do cangaço é reacendida pelos amantes das raízes nordestinas e eles não pararão até retomarem o seu território, ainda que sejam necessárias próteses cibernéticas e uma revolução extraordinária.

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Preço: versão física R$ 30,50
Ano de lançamento: 2018
Editora: Draco
Páginas: 72

3. Febre Vermelha | de Francis Graciotto

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Praia Grande, na Baixada Santista, é o cenário de Febre Vermelha, escrito por Francis Graciotto, contista e romancista,. Nesta obra, febre alta, fome insaciável e olhos vermelhos são os principais sintomas que tomam a população litorânea, dias depois de um navio atracar na região, com uma tripulação misteriosamente assassinada.

Comportamentos violentos, canibalismo e descontrole assolam as ruas, nem mesmo o governo e as autoridades conseguem domar os infectados pela febre vermelha, que passou a ameaçar todo o país, exceto um grupo de sobreviventes, que se aventuram no que pode ser a jornada mais perigosa de suas vidas.

Com muita ação e um toque de terror, o autor não economiza palavras capazes de conectar o leitor ao seu universo distópico e completamente emocionante. Após o sucesso do livro, Graciotto lançou Dias Febris, com oito contos individuais, que se passam dias depois de Febre Vermelha, em diversas cidades brasileiras, podendo ser lido antes ou após à história principal.

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Preço: versão física R$ 29,90 | versão digital: gratuita
Ano de lançamento: 2016
Editora: Máquina de Escrever
Páginas: 288

4. Ninguém Nasce Heroi | de Eric Novello

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Em Ninguém Nasce Herói, Eric Novello, autor de Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues, apresenta um Brasil futurístico e opressor, onde minorias são perseguidas pela milícia, a chamada de Guarda Branca.

Em plena Praça Roosevelt, ponto de encontro da juventude paulistana, Chuvisco, personagem principal, transforma literatura em instrumento de resistência a um governo comandado por um fundamentalista religioso. Através da distribuição de livros proibidos no Centro de São Paulo, ele se nutre de esperanças quanto ao seu próprio país, acreditando ser esta a oportunidade de mudar, enfim, a sua realidade.

No entanto, é preciso encarnar a figura de heroi para suportar os desafios urbanos de impostos pelo governo, e talvez o uso da literatura como arma seja apenas o começo de uma verdadeira revolução.

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Preço: versão física R$ 29,13 | versão digital por R$ 29,39
Ano de lançamento: 2017
Editora: Seguinte
Páginas: 384

5. O Ditador Honesto | de Matheus Peleteiro

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Através de uma sátira à política brasileira, O Ditador Honesto apresenta um cenário de caos coletivo, que se passa em 2026. Um novo presidente disputa o poder do país, o advogado Gutemberg Luz, prometendo mudanças providenciais à nação, que teme a repetição de um passado político doloroso e confia de olhos fechados na sua mais nova figura de herói.

Matheus Peleteiro, que também escreveu outros quatro livros, transitando pelos gêneros de contos, poesias, romance e novela, não enfatiza posicionamentos direitistas ou esquerdistas nessa obra, no entanto, trabalhou para que a narrativa envolvesse o leitor através de ironias e verdades suspensas nas entrelinhas, que refletem a jornada de um advogado sedento pelo poder e uma população que gosta de palavras bonitas e promessas duvidosas.

O autor já tinha sido indicado também na lista de livros de contos escritos por autores baianos da nova geração.

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Preço: versão física R$ 35,00 | versão digital: gratuita
Ano de lançamento: 2018
Editora: Garimpo
Páginas: 172

EXTRAS! Outros títulos também podem ser adicionados à sua lista não óbvia, como Boas Meninas Não Fazem Perguntas, Mariposa e Os Bruzundangas.

Autor: Elizza Barreto • @elizzabarreto

Elizza Barreto, que prefere ser chamada de Lizz, tem 23 anos, é psicóloga, residente multiprofissional em cardiologia, escritora e autora de Cappuccino de Chocolate com Creme, seu romance de estreia. Escreve sobre tudo o que vê pelo mundo, inclusive as entrelinhas. Seu maior plano é viver os começos felizes que rabiscou no caderninho, que não sai da sua bolsa.

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